Tínhamos combinado uma reunião em Coruripe na usina Guaxuma do João Lyra. Já estávamos para sair quando recebemos um telefonema para esperarmos o motorista da usina que nos pegaria na empresa. Mas ao invés de pegar a estrada, o motorista entrou no aeroporto.
Surpresa, era o playboy da usina, querendo nos levar de avião. Percebi que o Paulo não gostou nada da surpresa, talvez porque ele já conhecesse de longa data seu amigo Ricardo. O piloto profissional estava ao lado, mas o jovem que mandava em tudo, mandou o piloto se acomodar e partimos.
O primeiro susto foi o rasante junto às falésias da Barra de São Miguel, aquele paredão enorme, colorido, realmente bonito, visto de um ângulo totalmente novo. Eu até estava curtindo, mas o Paulinho, ao meu lado, fazia caras de poucos amigos, é porque ele sabia da irresponsabilidade do rapaz e não estava gostando da brincadeira.
Chegando na usina, quando o avião apontou o bico para baixo em direção ao campo de pouso, alguém lá no chão, saiu correndo para o meio da pista, acenando para que não descesse. O piloto rapidamente tomou conta do seu lugar, arremeteu o avião. Só então retornou para outra aproximação de aterragem, agora com o trem de pouso baixado. O rapaz estava baixando o avião sem baixar o trem de pouso, seria um pouso de barriga, não fosse a presteza de quem estava em terra observando a aproximação do avião.
Uma vez no chão, a primeira coisa que Paulo fez, foi procurar um telefone, ligar para Maceió e pedir um motorista para voltarmos em segurança.
Não tive mais notícias daquele jovem, mas fico, agora, pensando como seria a atividade do jovem herdeiro quando da administração da empresa de taxi aéreo, do grupo João Lyra. Talvez tenha amadurecido, passada a adolescência de filho de pai rico.