Uniforme escolar em 1956

 

Vai ficar difícil explicar para as novas gerações, cinquenta a cem anos depois, como iam para a escola primária os meninos daquela época.

Calça curta azul, camisa branca de botão e chinelo de pneu.

Quem tinha dinheiro, comprava tecido na loja, quem não tinha usava sacos de açúcar e sacos de farinha de trigo. Eram sacos de 60 quilos, pano grosso para aguentar a carga, vinham todos com escritos das usinas e dos moinhos.

Para fazer a calça, o primeiro trabalho era tirar aquelas letras e então tingir de azul. Alguns tinham uma tinta mais forte e não saia de jeito nenhum, acabavam aparecendo mesmo depois de muita tintura por cima.

Para fazer camisa se utilizava mais os sacos de farinha de trigo, um pouco mais fino e de trama menor. Dava um trabalho danado alvejar com água sanitária e sol. Não tinha como esconder as letras originais dos carimbos do moinho, pois não tinha como tingir de branco. Perdia-se muito do pano, quando se recortava só o que não tinha letras.

Para completar o uniforme, não havia mochilas, mas embornal ou sapicuá, que, para variar, eram feitos de saco grosso.

Os chinelos, na ausência de sapatos, eram de tiras de couro sobre solado de pneu velho. Com o tempo, a sola ia se gastando e os pregos iam chegando nos pés; era necessário ficar, sempre, batendo os pregos.

Fiquei sabendo, bem depois, que na depressão de 29, na América, os moinhos perceberam que as pessoas estavam fazendo roupas com os sacos de farinha e passaram a fornecer o produto em sacos estampados, como forma de vencer a concorrência.

Já encontrei artigos americanos com moldes de fabricação de roupas a partir de sacos.

 

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