CLP – Escritório no centro
Era 1962. Meu tio, irmão de minha mãe, apareceu com um carro Mercedes 1952, com onze mil quilómetros rodados, quase novo. Fora pouco utilizado pela mulher de um grande executivo em São Paulo.
Parecia um daqueles “guarda-louça” dos filmes de gangster.
Meu tio havia conseguido aquele carro num sistema novo de comercializar automóveis, que se chamava consórcio. Não dava muito para acreditar naquele processo, naquele tempo, mas a verdade é que ele já estava usando o carro para ir e vir de Santo André onde morava.
Numa dessas visitas do meu tio, ele me convidou para ir com ele visitar um amigo em Jundiaí que estava trabalhando nesse tal de consórcio.
Como a maioria dos vendedores, era muito pra frente, cheio de energia e sonhos de grandeza.
Quando soube que eu era de Campo Limpo, pediu um favor: Arrumar em Campo Limpo uma sala para escritório de vendas de consórcio.
Lá fui eu procurar e achei uma sala ao lado do correio, onde hoje é Av. Aderbal da Costa Moreira, 140. Era do Constantino que também tinha um armazém noutro lado da rua (hoje a rua se chama Miguel Roberto Constantino).
O vendedor veio ver a sala. Viu aquele olaria abandonado à sua frente.
Não gostou, pois era muito longe do centro da cidade, teria que ser antes da ponte.
Naquele tempo, o centro da cidade era a vila Thomasina, a rua de cima da estação, onde havia uma farmácia e o cartório, na casa que era do Joaquim Pereira Pinto, logo acima tinha a Igreja.